Desde tenra idade que o termo “matemática” cria alguma ansiedade às crianças e preocupação aos pais, pois ao longo do tempo foi um conceito que adquiriu uma conotação um pouco negativa. Na minha perspectiva, a matemática não é de forma alguma um “bicho de sete cabeças”, o mais importante é que os alunos se sintam motivados e que tenham desde cedo as bases necessárias para as aquisições futuras… A matemática é como um jogo que precisa que todas as peças encaixem e que só faz sentido num todo e não cada peça isoladamente… No jardim de infância, todas as situações do quotidiano devem ser aproveitadas e exploradas para que esta área possa ser trabalhada e é o que procuro fazer em rotinas como a marcação de presenças e o calendário; a contagem de crianças por área de actividade; na resolução de problemas simples; na exploração dos jogos de mesa, entre outros... Estas e outras situações ajudam a criança a desenvolver o seu raciocínio, procurando e encontrando as suas respostas… Para além destas situações que referi, existem outras que podem conduzir à exploração da matemática, cabe ao educador aproveitar e explorar essas situações, de modo a que sejam contextualizadas e façam sentido para as crianças. Como exemplo prático, posso dizer que na semana passada, aquando a comemoração do S. Martinho os meus meninos contaram as castanhas a colocar nos cartuchos e conheceram a lenda de S. Martinho, ouvindo que S. Martinho dera metade da sua capa ao mendigo que encontrou. A partir daqui, desenvolvemos algumas actividades, de forma a que eles pudessem perceber o conceito de “metade”… Começámos, então, por falar sobre este conceito e pude verificar que algumas crianças sabiam utilizá-lo na prática, mas que não conseguiam explicá-lo. Para que se tornasse claro para todos, fui buscar alguns objectos da sala (legos, peças de encaixe, livros) e começámos a explorar qual seria a metade desses objectos. Ao longo deste tempo, foram sendo trocadas ideias, opiniões e saberes, o que tornou este momento uma partilha de experiências muito importante e enriquecedora. Após esta exploração inicial, mostrei uma imagem de meia castanha, a qual foi rapidamente reconhecida e, de seguida, lancei-lhes o desafio de cada um desenhar a metade que faltava na castanha. Desta forma, individualmente, prosseguimos com a exploração da noção de metade e pude acompanhar cada um dos meus meninos nessa descoberta… No final, cada um preencheu a sua castanha da forma que quis, completando assim a sua actividade… Algumas das castanhas ficaram assim:


Para que esta aprendizagem faça sentido, é importante ir reforçando o que aprenderam com alguns exemplos práticos, de situações do dia-a-dia, quer seja no jardim de infância, quer seja em casa, por meio de situações e actividades simples mas elucidativas.
Agora vamos iniciar a exploração de alguns frutos da época que os meus meninos trouxeram de casa… Posso dizer que certamente vão surgir actividades que irão ajudar os meus meninos a descobrir e a explorar mais noções e conceitos matemáticos… O que pretendo que percebam é que nestas idades o mais importante em aprender matemática é que tal aconteça de uma forma lúdica e apelativa, pois só assim se pode despertar desde cedo o gosto e o interesse dos mais pequenos!
Vera